A ficção científica é um ramo das artes que tem o objetivo de imaginar os impactos da ciência especulativa e da tecnologia futurista no indivíduo ou na sociedade. Portanto, um pilar fundamental desse gênero sempre será a ciência em todas as suas vertentes. Em outras palavras, a ficção científica que salta aos olhos, que não fica nublada ou mesclada com outros gêneros, e que pode ser identificada prontamente, sem hesitação, tem a ciência e/ou a tecnologia como um personagem centralizado. De outra forma, se os aspectos científicos ou tecnológicos futuristas estiverem colocados no enredo apenas como um detalhe, um pano de fundo pouco distinto, surgindo aqui ou ali como mera pincelada, então a história sendo contada muito provavelmente é um drama, uma aventura, um terror ou uma comédia em primeiro lugar, tendo a ficção científica como tempero que se sente ao fundo.

O tema é espinhoso e complexo, e entendemos que os diversos gêneros literários ou cinematográficos se misturam em doses variadas. Não existe, então, uma linha perfeita que separe uma coisa da outra. Porém, o que não podemos perder é a essência de um gênero, caindo no erro de subverte-lo completamente.

Se ciência especulativa e tecnologia futurista são pilares da ficção científica, a presença deles como blocos fundamentais de uma boa história define o ponto máximo da ficção científica. E é justamente aqui que muitos autores ou roteiristas começam a se perder. Para eles, colocar uma viagem no tempo no meio da história, um foguete espacial ou uma sociedade distópica é o suficiente para afirmarem que estão criando ficção científica pura. Segundo eles, o importante é focar nos personagens, na crítica social ou na panfletagem partidária, porque a ciência e a tecnologia são meros adornos no fundo do palco.

Mas, ao fazerem isso, provam apenas duas coisas.

A primeira é que não entendem nada de ciência e tecnologia. Escrevem apenas conceitos científicos que eram moda há 50 anos, como viagens no tempo, multiversos, distopias com governos tiranos e sociedades oprimidas, e não fazem ideia dos avanços que a humanidade tem feito, e que renderiam excelentes histórias inovadoras.

A segunda é a necessidade de colocarem suas ideologias acima de tudo, até mesmo dos pilares fundamentais da ficção científica. Para eles, o importante é fazerem uma catarse de seus problemas pessoais internos, sem muita preocupação com os efeitos que os avanços científicos possam estar trazendo para o indivíduo ou a humanidade.

E é óbvio que esses autores e roteiristas têm todo o direito de criarem o que eles quiserem, afinal vivemos em uma sociedade onde impera a liberdade de expressão (contém ironia). Assim como é óbvio que as histórias precisam refletir as angústias sociais e pessoais de cada geração. No entanto, relegar os pilares da ficção científica a mero detalhe da trama é posicionar a história em um campo distante do gênero que se afirma escrever. É também falta de criatividade, porque os personagens e as críticas desses autores geralmente são repetições de histórias que já saturaram livros e filmes.

Estudar os avanços científicos e tecnológicos da atualidade é garantir que a ficção científica esteja sempre atualizada, sempre imaginando novos futuros e prevendo coisas que ainda estão por vir. Então, defender esses dois pilares, a ciência e a tecnologia, como atores fundamentais nas tramas scifi é garantir que esse gênero não se afogue na lama do esquecimento ou do desprezo de leitores.

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